tenho um tumulto debaixo das unhas
verde como o inferno
um medo que revela o tempo em que eu brincava de tingir
minha janela que fechada deixava-os entrar
e aberta refletia o abismo
onde eles dançavam
pai e mãe
observando-me cotidianos e com poucas dúvidas
- quem, nesta vida, cuidará tão bem de ti como nós?
diário do descobrimento
nau à vista
eu
os olhos dos peixes boiavam até morrer na praia
irmão devorou irmão
como a água é incapaz de perceber-lhe a própria forma
sombras colaram-se aos corpos
sete centímetros em direção à fronte avança o mar
eu deveria falar em ossos
mas eles não estavam lá
um hindu transparente
e duas vacas sagradas e mortas me contaram o que vi
eu
os olhos dos peixes boiavam até morrer na praia
irmão devorou irmão
como a água é incapaz de perceber-lhe a própria forma
sombras colaram-se aos corpos
sete centímetros em direção à fronte avança o mar
eu deveria falar em ossos
mas eles não estavam lá
um hindu transparente
e duas vacas sagradas e mortas me contaram o que vi
marítima
íris cor de mar provoca dilúvio
à nado cruzo os seus olhos
o mar é doce
à dois o mar é pequeno
(antes que nos alcancem
beberemos as ondas maliciosas)
o amor estendido à orla
até o mar vem olhar
há anjos
quatro mãos de crianças acariciam seus cabelos
quem é o primeiro a sorrir?
quem chora?
alguém duvida,
você também
sorri e chora
e decifra curiosa os olhos de quem duvida.
quem é o primeiro a sorrir?
quem chora?
alguém duvida,
você também
sorri e chora
e decifra curiosa os olhos de quem duvida.
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