o nome dos ossos

aqui você dorme e acorda.
um amigo diz:
o céu de setembro inaugura
o ano atrás desse véu, dentro dos olhos
atrás desse véu.

aqui você nunca mais despertará.
ainda que metade anjos metade
animais
lhe ofereçam promoções,
sais ou as próprias mãos.

não há meios de persuasão. em seus olhos
semicerrados estará justificada
a paixão: desenho novas cicatrizes enquanto imagino
a cor dos seus olhos fechados.

o corpo todo se entrega
a todo o corpo. a coragem
permanece intacta. a dúvida
daquelas aves migratórias aponta o nosso destino:

silenciosos e de cócoras.
costurando um susto ou narrando beijos ao redor dos nossos rostos.

3 comentários:

Adriana Karnal disse...

ai, a narrativa dos beijos...bonito isso.

yerblues disse...

Você consegue dissimuladamente ser prosaica: e a gente vai se enredando, um prazer suave e ingênuo, até se dar conta de que o seu poema quer decapitar - "a dúvida
daquelas/ aves migratórias aponta o nosso destino:// silenciosos e de cócoras."

Rafa Carvalho disse...

menina, que coisa linda!