como vão as coisas

eu? estou bem.
leio garcia lorca como quem acaricia as páginas de um livro sagrado.

minha boca adormece
meus olhos continuam a buscar deus em todas as coisas.

eu sigo bem.
aprendo a dar colo às crianças, aos bodes e às rãs.
e estranho a pele de todas as criaturas.

meu tato desliza sobre o sexo de um novo rapaz e eu toco a boca de deus pedindo silêncio em minha casa.

eu digo que estarei sempre bem.
e que talvez eu coma o bulbo do lírio coral e peregrine exibindo-o entre as gentes de minha aldeia.

1 comentários:

Assis Freitas disse...

há muito tempo que aqui não venho, mas meu olhar aprende rápido a se alumbrar de estranhamentos, a tua poesia ruge,



beijo