de Djalma Nery, sobre o fim dos nossos corpos, talvez
trancafiado na derradeira caixa de madeira
pulverizado no plasma ígneo do cosmos
sob camadas e camadas de terra –
assim mesmo toda vida evoco.
cirurgicamente desmembrado
abandonado à míngua
o osso espera sua medida.
ainda inerte e aflito
catatônicos atos sem tônica
respeitam a dominante quinta
dos infernos oriunda:
ouro e bunda –
moribunda franciscana sorte.
ainda que silente e sem brio
com as palmas duras de calar
sem haver sequer semeado flor
não há opção senão criar:
meu corpo – e aqui não tem conversa –
trará fomes e vermes;
minha mais pura obra
será a vida dos insetos que mastigam
a carne pútrida e prenhe de sina.
(o resto são rabiscos)
1 comentários:
dj alma neste poema me lembrou do eu mesma disse sobre o cansaço dos corpos. de que serão eles a nossa última - e não única! espero sempre - oferenda pra nossa terra-mãe.
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