a cada 2160 anos o sol

descalços
os pés denunciavam que éramos todos
nus,
pele pelos poros.

morriam-se vinte e dois animais,
éramos santos e
morríamos
de medo de ser.

somávamos números,
                 alcançaríamos
a quint'essência?        anjos

viriam nos visitar?

amarelos, com selos
nos cabelos, postais para onde?

cidades enterraram seus heróis.

cidades sobre o sobre,
nossos sexos boiando na baía.

inauguramos aqui a nova orla da praia,
novas sanas. pada,

padma.
agarrávamos com os pés as flores que os peixes traziam nas bocas.

devas
translúcidos aplaudiam, traziam
corais nas barrigas.

cantávamos,
agora em pé sobre o mundo:

canções tocadas por pequenas mãos,
por mulheres negras e mulheres pequenas e responsáveis

pelo cultivo eterno de estrelas.

desenhávamos
que tesouros?
acharíamos mais

coragem
e paciência,
um cego apontou o mar.

1 comentários:

yerblues disse...

Pouca ou nenhuma vez vi um poema seu assim grande.

Gostei desse, especialmente.
Há novidade na sua escrita, eu percebo. Ou penso que percebo.

Um beijo, Mari.