a hora parou em 19h27. minha melhor amiga me sorriu enquanto todos ao redor pensavam em português e escreviam:
- hay mucho que decir,
continuando calados.
a manga, camisetas verdes, o olhar maduro e as pernas insistentes em se roçar.
eu tinha medo de olhar no relógio porque acabei de descobrir a hora de minha morte. mas os narizes arfando ainda davam a sensação de ser-noite, fria-invernal embora ninguém explicasse o calor do coração, a menstruação lenta.
um cão me contornou os seios, recebi cartas.
nunca respondi. desgosto adeuses.
até breve. até breve. até breve. marcavam os ponteiros do tempo, laceado de tanto espreguiçar-me,
esticando o que me restava.
esticava o tempo e via os olhos do menino e outro menino por detrás dos olhos do menino enquanto pensava o que teria para jantar na casa dos meus pais, se minha mãe cozinhasse as palavras:
abóbora, casadinho.
papilas e cheirá-las junto aos cães, farejando o mistério entre dois azulejos. o céu,
uma ave passou detrás dos olhos da nuca e eu me perdi. eu sempre me perdia e aves sempre passavam. era mais natural do que se pensava, essas aves pensando.
o relógio voltou a andar. era natural.
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