reservado

nunca falei desse homem vestido de vermelho,
jovem que amortece meu sangue
maduro, que canta palavras
aos anjos de minha janela

e que de minha janela se lança ao abismo de um campo
em flores entusiasmadas pelo calor do hálito dos cães que dormem agora na cidade

esse homem de carne vermelha que oferece
a cada parte de todas as línguas dentro de todas as bocas: madeira depois do cheiro,
sonos após o almoço,

e colhe, como quem embebeda uma criança,
fio a preto fio, desfazendo os nós
das frutas vermelhas que moram em meus cabelos



ele me come o vestido
até a nuca

e por isso eu nunca mais falarei deste homem.

2 comentários:

yerblues disse...

Porra, Mariana.

Adriana Karnal disse...

vou repetir silenciosamente o que o yerblues falou. ele disse tudo.