o coração escondido como flor

os corações escondidos atrás das costas.
era mais noite do que havia estrelas
e cercávamo-nos com palavras: conhaque,
acaso. seus caninos se mostravam à frente dos nossos corações. fluorescentes,
minhas mãos eram ariscas: eu as escondia
desesperadamente, no silêncio cinza
do seu paletó, emprestados aos meus ombros com o mesmo carinho
de quem devora a sua presa.

embora conversássemos sobre: um polaco em comum,
as saudades da casa qual moraríamos ou o nome verdadeiro
desta flor
que nos envolve;
nós dois pensávamos em mar
e amávamos - cada um - a cidade
portuária que o outro imaginou.

cada gota carregava uma ressaca, e não haveria
areia o bastante para secar
os seus olhos de cão, as minhas feridas abertas.

a lua não brilhou porque simplesmente não queria,
mas nós
- infinitamente -
voltamos a nos encontrar:

os corações, então, oferecidos como flores.