o sacro ofício

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tenho esses peixes
e dou de coração...
(milton nascimento e fernando brant)

I.

água escorrendo por um
muro úmidoverde
desviando entre rochas

reencontrando-se,
fluindo nes sencontro.

muito verde.

o muro era
o meu corpo. eu, a
mãe terra.


II.

derrama as tuas mágoas
sobre teu corpo
mareia esses olhos ateus

e bebe do teu próprio
sal

(nutre e rega tua
terra própria

cuida bem do

coração

em flor)


III.

deixa teu amor te matar

vai, fera,
e morre só
entre teus próprios braços

úmidos e quentes
desse teu amor
cão

(lembra de ser só
e lembra de tudo
outra vez)


IV.

alimenta bem teus
amigos

dê de seus frutos
partilhe estes seios teus

assume a mãe
sê a deusa,


(espera o teu deus,
faminta)


V.

geme,
germina estes brotos
teus

dê. doe.

germén da dor

(alegra-te ao ver o
sol
sê o sol.
emana. cria.

todas as tuas crias)


VI.

celebra a festa

eterna?

vive.


escuta este pai
que te canta

a voz que te
chama

para ser parte
do m u n d o


VII.

lamba teu ser gato

a egípicia

musa
de outrora.


descanse qualquer sono

e volte a dançar entre nós.

(a voz e a vez da estrada. sobre o convite da vida. foz do iguaçu, 25/dez/09)

errantes

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na estrada

novos cães

dos nossos dias


miseráveis como nós

no café desta manhã

(dez/09, foz do iguaçu)

dharma bums

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viajarei. deixo um trecho como despedida inspiradora e despojada:

"nossa, fico imaginando o que vai acontecer com ele no final."

"acho que ele vai acabar igual ao han shan, vivendo sozinho nas montanhas e escrevendo poemas nas encostas dos penhascos, ou entoando-os para as multidões postadas na frente da caverna dele."

"ou talvez ele vá pra hollywood e se transforme em uma estrela de cinema, sabe o que ele disse outro dia?, ele disse: 'alvah, você sabe que eu nunca pensei em ir para o cinema e me transformar em estrela de filmes, sou capaz de fazer qualquer coisa, sabe como é, mas isso eu ainda não tentei', e eu acredito nele, ele é mesmo capaz de fazer qualquer coisa. você viu o jeito como ele fez a princess se enrolar toda em volta dele?"

os vagabundos iluminados, jack kerouac.

semente II

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me planto a teus pés
e espero
o tempo que flor

de raul motta,
em diálogo com "seja lá o que flor".

uma oração

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permita deus que eu morra
em uma primavera
chuvosa

(como esta)
para que o choro
não seja menos que a chuva
para que nos anos de
minha morte

visitem-me


os pássaros
para que

o mundo seja,
senão,

flores.

sem título

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seus dois grandes olhos
deuses me perguntando
se sei a verdade

obser

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do rio que flui sou o galho que se lança sobre num abraço impossível. pedra que fita muda participa como a menina que molha só a ponta dos pés à beira: margens silenciosas verdes ciliares que guiam este rio-vida

estrelas d'água doce

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I.

marimbondo
guarda este rio
no qual tanto nos banhamos
(mariana)

II.

rimando, guardo este rio
onde tantas vezes
novembramos
(mª. angelina)

primavera (ou, de ver as)

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sob os olhos teus, ver de idades, os bons deuses acariciam a paz de meus cabelos com pequenas mãos de crianças.