Tenho esses peixes
e dou de coração...
(Milton Nascimento e Fernando Brant)
e dou de coração...
(Milton Nascimento e Fernando Brant)
I.
água escorrendo por um
muro úmidoverde
desviando entre rochas
reencontrando-se,
fluindo nes sencontro.
muito verde.
o muro era
o meu corpo. eu, a
mãe terra.
II.
derrama as tuas mágoas
sobre teu corpo
mareia esses olhos ateus
e bebe do teu próprio
sal
(nutre e rega tua
terra própria
cuida bem do
coração
em flor)
III.
deixa teu amor te matar
vai, fera,
e morre só
entre teus próprios braços
úmidos e quentes
desse teu amor
cão
(lembra de ser só
e lembra de tudo
outra vez)
IV.
alimenta bem teus
amigos
dê de seus frutos
partilhe estes seios teus
assume a mãe
sê a deusa,
sê
(espera o teu deus,
faminta)
V.
geme,
germina estes brotos
teus
dê. doe.
germén da dor
(alegra-te ao ver o
sol
sê o sol.
emana. cria.
todas as tuas crias)
VI.
celebra a festa
eterna?
vive.
escuta este pai
que te canta
a voz que te
chama
para ser parte
do m u n d o
VII.
lamba teu ser gato
a egípicia
musa
de outrora.
descanse qualquer sono
e volte a dançar entre nós.
(a voz e a vez da estrada. sobre o convite da vida. foz do iguaçu, 25/dez/09)